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Jonas Furtado
Certa vez, ao explicar a ausência do atacante Romário da lista de convocados, o técnico Luiz Felipe Scolari afirmou que precisava de alguém que se destacasse em jogos contra times tradicionais, pois, segundo ele, “marcar quatro, cinco gols no Bambala, no Animatéia, é fácil”. No vasto folclore que habita a cabeça do comandante do penta, Bambala e Animatéia seriam times de várzea do Rio Grande do Sul.
Mal sabia Felipão que o Mundial 2002 seria das zebras – portanto, sob medida para o Baixinho e sua arte em destruir defesas vacilantes.
A partida de abertura deu o tom do que viria a seguir. Senegal 1 x 0 França. Os defensores do título caíram frente à uma equipe estreante em Copas. Na seqüência, os Estados Unidos derrotaram Portugal. O Japão venceu a Rússia. E dá-lhe Bambala.
As decepções
Poucas vezes duas seleções chegaram a um Mundial tão favoritas quanto Argentina e França na Ásia. A escalação dos times metia medo, a pose fora de campo era digna de campeões. Faltou apenas jogar bola.
A França protagonizou o maior vexame da história das Copas do Mundo ao despedir-se da competição sem conseguir marcar ao menos um mísero gol. O grande astro francês, o meia Zinedine Zidane, machucou-se em um amistoso preparatório contra a Coréia do Sul e jogou apenas a última partida, contra a Dinamarca. Mas nem a categoria dele salvou o time da derrota e a conseqüente eliminação.
Os argentinos subestimaram o chamado Grupo da Morte, o mais difícil do Mundial, com Inglaterra, Suécia, Nigéria e a própria Argentina. Após a vitória sobre os nigerianos, nossos vizinhos perderam a partida-chave contra os ingleses e empataram com os suecos. Em um país afundado numa crise política, econômica e social de proporções inéditas, o futebol era visto como esperança única de resgate do orgulho nacional. Para os jogadores, a Copa seria a chance de dar um pouco de alegria a seus sofridos compatriotas. Não conseguiram.
As surpresas
Portugal (primeira fase), Itália (oitavas-de-final) e Espanha (quartas-de-final) tiveram o mesmo algoz: a Coréia do Sul. Liderados pelo técnico holandês Guus Hiddink, os coreanos atropelaram quem apareceu pelo caminho até a semifinal contra a Alemanha. O país parou para assistir a seleção nacional. Em dias de jogos, três milhões de pessoas saiam às ruas da capital Seul para acompanhar a partida por telões colocados em lugares públicos.
Mas nem tudo foi festa para os co-anfitriões. O Mundial 2002 ficará marcado pelos erros absurdos de arbitragem – boa parte deles, a favor dos coreanos. Italianos e espanhóis foram embora mais cedo bradando terem sido roubados. A Fifa prometeu rever os critérios para escolha dos juízes para as próximas edições do torneio.
Os turcos também não se esquecerão tão cedo da primeira Copa realizada fora dos continentes europeu e americano. Misturando aplicação tática com a criatividade de jogadores como o atacante Sas e os meias Emre e Bastürk, a Turquia derrotou o Japão e Senegal e encarou o Brasil de igual para igual na semifinal. A terceira posição foi uma conquista histórica.
A final entre Alemanha e Brasil, as duas maiores forças do futebol mundial, ajudou a mascarar o que realmente aconteceu em gramados japoneses e coreanos. Mas a verdade é que nunca foi tão bom ser Animatéia quanto no Mundial 2002.
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