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Plano de desconexão divide também os rabinos
 

Quinta, 29 de abril de 2004, 16h38

Trezentos rabinos pediram hoje, quinta-feira, aos militantes do Likud que votem contra o plano de "desconexão" unilateral dos palestinos elaborado pelo primeiro-ministro, Ariel Sharon, no referendo interno do próximo domingo.

O grupo de rabinos, autodenominado "Pikuah Nefesh" (salvando vidas), argumentou que a aplicação de dito plano, que levará à evacuação das 21 colônias israelenses situadas na Faixa de Gaza e outras 4 na Cisjordânia, arriscará a vida dos cidadãos judeus.

Se fizerem isso, estarão atuando contra o principal valor do Judaísmo, que é o direito à vida, opina o grupo.

Estes rabinos advertiram também a Sharon que sua tradição religiosa lhe proíbe de se retirar de territórios nos quais depois um inimigo se assentará.

"Qualquer retirada de terras judaicas e o assentamento de não judeus nelas, levará o inimigo a continuar nos atacando com o objetivo de conseguir mais terras", destaca o comunicado dirigido aos militantes do Likud, implicando que a retirada da Faixa de Gaza e parte da Cisjordânia não satisfará as ambições territoriais dos palestinos.

Os rabinos de maior prestígio optaram por manter silêncio para não influenciar nos resultados do referendo.

Entre eles, o líder espiritual do partido ultra-ortodoxo sefardita Shas, Ovadia Yosef, que no final dos anos 70 apoiou publicamente a decisão do então primeiro-ministro, Menahem Begin, quando este decidiu devolver toda a Península do Sinai ao Egito em troca de um tratado de paz.

Então, Ovadia Yosef invocou o mesmo princípio mas aplicando-o de outra forma, sentenciando que a vida é mais importante que o território.

Por outro lado, o principal rabino da comunidade sefardita, Shlomo Amar, disse hoje que os restos dos colonos enterrados nos assentamentos que forem evacuados podem ser exumados e reenterrados em território israelense.

Embora sem assumir uma posição no relativo ao plano de "desconexão", a sentença de Amar pode ser interpretada como um gesto indireto de apoio a Sharon.

O principal rabino da comunidade asquenaze, Meir Lau, preferiu não fazer comentários a respeito. EFE

chs rs
 

EFE

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